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O trabalho na Agricultura e o desafio COVID-19

Written by Pedro Torres | 06-08-2020 10:00

 

Na última década assistiu-se a uma crescente especialização nos produtos e serviços a fornecer ao sector agrícola, que vão desde os recursos humanos, à banca, seguros, equipamentos, manutenção, tecnologias de ponta, entre outros.

No caso específico do recrutamento e seleção para o trabalho agrícola sazonal existe um elevado grau de exigência no sentido de aferir a capacidade de desempenho dos recursos humanos, com vista a gerar uma produtividade qualitativa e quantitativa inerente e necessária para esta atividade.

Em muitas das culturas atuais, a exportação dos produtos ganha primazia nas relações comerciais estabelecidas. Tal acontece, não só pelo valor gerado mas também devido ao mercado nacional atual ser muito pequeno para o volume de produção previsto, tendo em conta o aumento da área global de cultivo a que se assiste nos últimos anos, essencialmente nos frutícolas, hortícolas, e nos olivícolas.

Uma das grandes oportunidades na gestão dos recursos humanos, de forma a solucionar as necessidades temporárias dos produtores ao longo do período das suas campanhas agrícolas anuais, está na diversificação dos produtos de forma a complementar a necessidade de mão-de-obra durante o ano civil.

Um exemplo a que cada vez assistimos mais é o agricultor que produz frutícolas também ter hortícolas, ou o que produz olivícolas também ter vitivinícolas. Aqui, o papel das empresas é fundamental para agrupar vários produtores por região de forma a conseguir manter uma estabilidade contratual anual aos trabalhadores.

Com o surgimento da pandemia de COVID-19, foi lançado um conjunto de orientações que visam minimizar o risco de contágio nas explorações agrícolas. Estes procedimentos de prevenção e controlo destinam-se aos responsáveis pelas explorações agrícolas e aos seus trabalhadores, dizendo respeito, essencialmente, ao cumprimento das regras de distanciamento e de etiqueta respiratória, à lavagem e higienização das mãos, dos espaços de trabalho, dos veículos de transporte e dos alojamentos (caso existam), e também à medição da temperatura dos trabalhadores antes da entrada nas viaturas de transporte ou à chegada às instalações.

Mesmo com toda a prevenção em curso já se regista algum impacto negativo em determinadas áreas do negócio AGRO, seja por quebra do preço de mercado do produto ou por questões ligadas à exportação e escoamento do produto.

Os novos desafios exigem objetivos estratégicos e metas eficientes, com apoios ao investimento em produções e culturas. Assertividade e resiliência fazem, agora mais do que nunca, parte das nossas ferramentas de trabalho diárias, sendo, acima de tudo, necessário obter uma real contribuição das áreas com maior inovação, mais competitivas e bem geridas, de forma a fazer frente ao que nos espera.